O dia depois do pós-festa
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| Obra: Sem título. 1890. Charles Ethan Porter. Metmuseum. |
Agora as falsas alegrias começam a se dissipar.
As luzes de um natal recente ainda estão acesas sob o domínio do cristofascismo que amordaça o bom senso e perpetua os preconceitos e as violências veladas e dissimuladas.
Um pouco mais mercantil, as faturas das contas ordinárias começam a chegar com o valor do riso fácil anunciando que tudo tem um preço. Os chefes, exercendo seus pequenos poderes a mando do Capitalismo, já avisam que as horas felizes precisarão de compensação porque nenhuma pseudo felicidade sai impune.
E olhando bem para a parentela que se demora a ir embora, velhas feridas saltam aos olhos. As rugas não protegem os velhos cretinos das suas atrocidades, as matronas não podem ser perdoadas por suas vilanias e a prisão familiar, por conseguinte, não sustenta a união que tanto apregoa.
Assim, entre uma bebedeira e a fumaça dos fogos que amedrontaram os animais não-humanos durante vis minutos, percebe-se que a ilusão, a cada ano, fica menor. A cada ano o amor - sempre embrulhado com esmero nos shoppings e vendido por adoradores do falso deus (cristão) - encolhe. A cada natal o cristofascismo causa menos danos. A cada novo ano a vida se encurta e a paciência vai definhando.
Agora, depois de comerem e cagarem sem pensar no amanhã, os carrascos familiares se demoram a sair da boa vida alheia, que tanto criticam. Os cínicos enchem os sacos daquilo que dizem não haver nas roças amigas. E o Capitalismo urge em lembrar a todos que o natal é sua melhor roupa e que o Ano Novo é apenas um detalhe no seu interminável fluxo de produtos, informações e pessoas.
Agora a vida precisa seguir - e sem reclamações.

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