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O dia depois do pós-festa

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Obra: Sem título. 1890. Charles Ethan Porter. Metmuseum.   Agora as falsas alegrias começam a se dissipar.  As luzes de um natal recente ainda estão acesas sob o domínio do cristofascismo que amordaça o bom senso e perpetua os preconceitos e as violências veladas e dissimuladas.  Um pouco mais mercantil, as faturas das contas ordinárias começam a chegar com o valor do riso fácil anunciando que tudo tem um preço. Os chefes, exercendo seus pequenos poderes a mando do Capitalismo, já avisam que as horas felizes precisarão de compensação porque nenhuma pseudo felicidade sai impune. E olhando bem para a parentela que se demora a ir embora, velhas feridas saltam aos olhos. As rugas não protegem os velhos cretinos das suas atrocidades, as matronas não podem ser perdoadas por suas vilanias e a prisão familiar, por conseguinte, não sustenta a união que tanto apregoa. Assim, entre uma bebedeira e a fumaça dos fogos que amedrontaram os animais não-humanos durante vis minutos, p...

A última aparição do ano

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  Obra: Repouso, 1895, John White Alexander. Metmuseum. O dia já acabara e a noite se instalara para as bandas de Sergipe quando os sons do Ano Novo começaram a ser ouvidos. É sempre assim, o som chega primeiro e, depois, as luzes piscantes, a fumaça dos fogos e os gritos de umas boas-novas que se sabe jamais chegar mas que sempre são anunciadas na esperança de, um dia, baterem à porta. O calor, instalado há dias, bateu aquela sensação térmica que tosta as caras dos que andam ao sol sem medo do envelhecimento porque não há mais nada a temer em uma vida vadia e sabuja. E mesmo nas primeiras horas da noite, as últimas do dia, não cedera. E a rua, sempre calma, tranquila, servindo as vezes de depósito de antigos veículos úteis, parecia abandonada a si.  Foi assim que se viu, como uma aparição, no portão, com a bolsa aos pés, trajada de branco e cabelos soltos, aquela que não ouvia os pedidos para deixar o cadeado aberto. Era como também fazia, quase sempre, aos pedidos silen...

As últimas horas

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Imagem: The Visit, Lamp Effect. Félix Vallotton. Met.  É isso. Nas últimas horas do "ano velho" os seus inimigos ainda estão aí, amargando o fato de não terem conseguido todos os seus maus intentos. Os seus parentes de caráter questionável ainda estão fuçando na lama familiar como porcos caipiras buscando a última pútrida guloseima para se deliciar na festa de fim de ano. Os seus "amigos" estão incomunicáveis, muito embora ativíssimos nos stories das redes sociais. Os seus conhecidos já mandam mensagens de felicidades no ano que se iniciará. Os antigos amores estão esperando  novidades, no meio real e no meio virtual. E seu líder religioso já deseja mais juízo e mais obediência para que sua alma possa se salvar no ano vindouro porque no atual já está perdida. As últimas horas do "ano velho" são horas de uma vida contínua, embora a mídia e a massa do populacho creiam-na mais que especial.  O que nos resta é olhar para trás, não com nostalgia, ma...