O sucesso das big techs

 

Obra: Untitled, 1910, Jan Preisler. Metmuseum.

As Big Techs conseguiram, em um tempo recorde, o que a idolatria cristã não conseguiu em séculos - arregimentar todo animal humano com o fim único de manter as estruturas de poder de dois ou três indivíduos por meio da carência e da solidão. 

Utilizando aplicativos que deveriam unir esse tipo de animal, estando próximos ou distantes, essas corporações acostumou essa criatura à preguiça e ao isolamento por meio de uma coleira virtual traduzida fisicamente em um smartphone. Essa coleira, tão potente, reduziu o indivíduo a um mero repetidor de diretrizes algorítmicas que embrutece cada usuário, onde quer que esteja. 

Iludidos pela aparente e relativa facilidade com que esses aplicativos oferecem, o animal humano deixou de aprender a cozinhar em detrimento de um pedido - simples e rápido - de uma refeição preparada para alimentar a ganância dessas corporações. Esse animal não precisa mais aprender a conduzir um veículo porque é mais fácil sujeitar-se ao dinamismo das taxas de aplicativos de transportes. Não precisa mais buscar conhecimento e transformá-lo em algo positivo no cotidiano porque existe um aplicativo ou um meio de busca que permite ler o que foi secularmente construído e produzido pela humanidade - a memória humana foi substituída pela memória do aparelho eletrônico da moda. Não precisa mais ser atraente enquanto há aplicativos que mascaram a feiura e a idiotice para que o sexo rápido e plástico aconteça.

A criatura humana foi, com sucesso, reduzida a um elemento orgânico que serve de base alimentar para as Big Techs e às suas engrenagens. Ela não possui mais deuses, fés, filosofias, expectativas, opiniões divergentes, vida além das telas. É um fantasma do que foi e um aborto do que poderia ser. 

Em tempos de tamanhas alterações sociais, políticas e orgânicas no sistema capitalista, não é exagero definir, no contexto apresentado, o animal humano como uma peça indesejada em um mundo corporativista digitalizado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Realidade nua na ladeira

O jogador e a prostituta

O arauto da justiça