O fracasso do desinteressante
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| Obra: Winter, 1787, Jean Antoine Houdon. Metmuseum. |
Não existe complexidade individual em animais humanos.
Não raro, e no mesmo padrão de comportamento, há criaturas que se dizem complexas. Não entendíveis pelos pares. E isso, como se fosse um resumo da profundidade de sentimentos, de razões desconexas que ditam o comportamento errante e um vislumbre de justificativa para ações presentes, passadas e futuras.
Seria realmente interessante se existissem pessoas efetivamente "complexas". Talvez, quem sabe, elas seriam interessantes, de fato.
Mas não é o caso das criaturas que se arvoram em uma tal complexidade. Essas criaturas são só indolentes consigo; são desorganizadas com a porca vida que levam; são desinteressantes ao ponto de buscar um mistério em um céu de brigadeiro. Olhando direitinho, são meras reprodutoras das faltas que lhes moldaram e das violências que sofreram e que, agora, não conseguem assumir sua própria forma abjeta, quando precisam ser abjetas.
É, essa adjetivação de uma imaginada complexidade, uma forma de covardia. Ao não conseguir encarar o outro e as simplicidades do cotidiano gritam: sou complexo! Aliás, mirando de soslaio, nem essa afirmação parecem conseguir fazer direito. Essa covardia tem um preço - e é o da degradação da imagem social dessa criatura. Uma imagem de um ser incompetente, incapaz e imbecilizado.
É verdade que em algum momento, para a primeira criatura que inventou tal desculpa ignominiosa, ser complexa foi um marco que mereceu ser replicado pelos demais que se viram desinteressantes e violentados. Hoje, é apenas a chancela de fracasso.

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