Os indolentes serviçais
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| Obra: Pisa, 1843-44, Sir Francis Seymour Haden. Metmuseum. |
A importância do setor de serviços para a economia brasileira é incontestável. É um meio de garantir o sustento quando as portas do mercado de trabalho formal se fecha sob as gananciosas mão do Mercado e representa, mesmo na formalidade, a transitoriedade - e as vezes nem tanto assim - necessária que mantém o alimento posto e a ocupação em alta.
Apesar disso, e justamente por abrigar a formalidade e a informalidade em um todo ocupacional, o setor de serviços parece testar a paciência do consumidor e a saúde mental do trabalhador. Isso porque o nível de incompetência e de desleixo nos serviços prestados beira ao cômico absurdo de um realismo mágico típico da América Latina e do Caribe.
E, se por algum justo descontentamento, o consumidor reclamar; gritar sua indignação; escancarar o ultraje - ele será sempre o errado, o louco, o injusto.
Dessas injustas loucuras surgem os gritos ao telefone que faz com que os atendentes de telemarketing tomar medicação controlada e entrar em estado de morte presumida; e igualmente faz com que, não raro, alguém surte em alguma loja e comece a depredar o que encontrar pela frente - incluindo os atendentes que se meterem a dono da empresa.
E tudo o que puder ser dito sobre o serviços prestados pela iniciativa privada se estende ao poder público, com o agravante de que os indolentes servidores públicos se escondem atrás de uma proteção legal que lhes confere a certeza da impunidade e a punição daquele cidadão que reclamar.
Os serviços, claramente, são um circulo oculto do inferno a que todos estamos sujeitos - como agente passivo e ativo do caos que sustenta o cotidiano dos aglomerados urbanos.

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