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O fracasso do desinteressante

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Obra: Winter, 1787, Jean Antoine Houdon. Metmuseum.   Não existe complexidade individual em animais humanos.  Não raro, e no mesmo padrão de comportamento, há criaturas que se dizem complexas. Não entendíveis pelos pares. E isso, como se fosse um resumo da profundidade de sentimentos, de razões desconexas que ditam o comportamento errante e um vislumbre de justificativa para ações presentes, passadas e futuras. Seria realmente interessante se existissem pessoas efetivamente "complexas". Talvez, quem sabe, elas seriam interessantes, de fato.  Mas não é o caso das criaturas que se arvoram em uma tal complexidade. Essas criaturas são só indolentes consigo; são desorganizadas com a porca vida que levam; são desinteressantes ao ponto de buscar um mistério em um céu de brigadeiro. Olhando direitinho, são meras reprodutoras das faltas que lhes moldaram e das violências que sofreram e que, agora, não conseguem assumir sua própria forma abjeta, quando precisam ser abjetas....

Os diabos pobres

 Durante a semana, no horário comercial, esses pobres diabos são as ferramentas que movimenta a roda da economia e pouco importa seus desejos e aspirações. À noite, depois que o tempo deixa de ser contado mesquinhamente, torna-se público para novelas televisionadas mal escritas, telejornais e polêmicas fabricadas de famosos de vida perfeita.  Aos domingos, esses pobres diabos são a plateia de pastores e padres, que em cada esquina abre uma sucursal da verdade absoluta. De si, dos seus gostos, só umas horas, poucas, rareadas, entre a tarde do domingo e o começo da manhã da segunda-feira. Nada além disso. Nada lhes pertence. Nem mesmo sua vida ou o que, com os contados centavos, conseguem comprar em infindáveis parcelas. O exército de pobres diabos é exatamente isso: pobres e diabos sujos e esfarrapados, que quando não estão vestidos com um uniforme de mal gosto estão vestidos de terno mal cortado ou vestido à brega.

Crônica de uma vida insuficiente XXI

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Mentirosos, estúpidos, ignorantes. O varejo está cheio dos piores espécimes que pode existir na periferia. Fracos, vendidos, incapazes. Praticamente é impossível sair de casa e ter o mínimo de decência ao lidar com seres humanos. Gentinha da pior laia, rebotalho infernal de uma sociedade doente. Ninguém escapa. As pessoas tem problemas sérios e tornam-se escravas porque não conseguem sustentar um posicionamento, uma opinião, um olhar decidido. À mais leve promoção no ambiente de trabalho, mulheres se degradam moralmente e homens envergonham aos ancestrais selvagens. À mais efêmera modificação na educação, que sempre é para pior, produz-se uma legião de incompetentes. A humanidade não está sofrendo com as doenças, mas sendo salva de si mesma. E não ter que sair, lidar com homens e mulheres diminutos, é uma benção.