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O domingo do outro

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Obra: Estate Figure, Dynasty 12,  Middle Kingdom. Metmuseum.  Enquanto eu assistia a um discurso inflamado de um espírita contra Emmanuel e André Luiz, a mãe dos meninos magros do andar de cima passou para a padaria. É sempre assim, se ela não visita as criaturas que espremeu para esse Vale de Lágrimas, eles morrem de inanição. Por outro lado, parece que sempre vão depender de alguém para fazer o básico para se viver nessa sociedade insana e feroz.  A vizinha de cima, por sua vez, tão ciosa dos seus deveres femininos, já está lavando o banheiro e as roupas - significa que alguém há de chegar daqui para mais tarde. Muito recentemente ela demonstrou o mesmo padrão. E assim temos a configuração de uma rotina.  Visto assim, fisicamente de perto e socialmente distante, continuamos, cada um a seu modo, obedientes a outrem que nos empurra atividades goela abaixo - ou cu acima, dependendo do momento - de forma que nos mantemos ativos não por nossa livre iniciativa,...

O lado certo para o bezerro de barro pintado de amarelo

 6h49 da manhã. As portas da IURD já estão abertas com obreiros recebendo as ignorantes ovelhas com um recipiente nas mãos para o ritual vazio da manhã de domingo. As ovelhas, pobres, ignorantes, desesperadas, chegam de todos os lados para sustentar a vaidade dos pastores e idolatrar um bezerro de barro pintado de amarelo que chamam de deus.  Um deus que apresenta uma masculinidade frágil, tóxica, violenta e opressora. Esse mesmo deus que visita os ricos em seus leitos enfermos, mas ignora e despreza os pobres nas filas dos hospitais públicos. Para o rico, esse falso e inexistente deus acolhe, aconchega e visita em sonhos, garantindo a cura, os milagres e a assistência irrestrita. Para o pobre, mesmo que este dê-lhe tudo o que possui e que nunca é suficiente, esse deus os esquece e os oprimi transferindo-lhes as enfermidades que retira dos ricos. Um deus com a cara dos servos - quem paga mais consegue a cura, a paz, o lugar reservado em um pseudo paraíso.  Essas ovelhas, ...